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Just so you know.
Não quero um rapaz. Quero um homem.

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one be me.

Miguel Sousa. 16 anos.
Paços de Ferreira.

sorridente. chorão. orgulhoso. alegre. divertido. forte. optimista. simpático. feliz. apaixonado. amigo. criativo. sonhador. chato. imaginativo. nervoso. conversador. maluco. responsável. organizado.
Dance, photography and guys! ♥
A human being is also entitled!
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011 // 13:26


Todos os seres humanos têm direito a ser respeitados, por normas e por qualidades. Todos eles, têm direito a conviver com aquilo que a vida lhes trás. Quer seja, independente do outro, não interessa. Interessa pois aquilo que é, aquilo que nasceu, aquilo que quer ser. Sobre tudo, falarei o que se passou comigo, os obstáculos que cruzei. A vida a mim trouxe-me um desafio, encaixou-me um rumo diferente, um caminho diferente, uma vida diferente! Elevou-me para um conceito extremamente normalíssimo. Quero com isto dizer, e para ser mais direto, estou a falar da minha orientação sexual. A verdade, é que levei com um ano e precisamente, nem mais nem menos, quatro meses, para descobrir o que realmente era. Não me sentia hétero, sentia-me diferente de todos os heterossexuais.  Muito francamente, nunca imaginei tal coisa, nem sei como tudo passou, ou como tudo se revelou. Contudo, andava confuso e isso deixava-me incomodado. Passei por tempestades, noites mal passados estive. Sobre aquele irritante frio que me deixava congelado. Tal como disse, foi preciso levar com algum tempo para descobrir o que era. Com o tempo, descobri. Fiquei feliz comigo mesmo, senti-me orgulhoso por saber quem era e quem sou, pois nunca ter medo e enfrentar todos aqueles inimigos que me prosseguiam. Consegui!
Decidi revelar alguns dos meus amigos, e tentar ter o apoio de cada um. Teria pensado eu, se algum deles/as me julgasse ou descriminasse, eu não iria dar importância. Teria de ser superior e passar por cima de cada um. Mas na verdade, todos eles/as me apoiaram quando mais precisei, quando mais estive de cabeça baixada.
Um dia, pensei cá para mim: “Estou a fazer algo de errado. Falta-me alguma coisa.” Pois, a minha mãe. Acho que errei em ter revelado a todos os meus amigos e não há minha mãe. Aquela pessoa que sempre esteve comigo quando mais doente estive. Aquela mulher corajosa com que eu sempre me dei bem. Supostamente era a ela que deveria de ter revelado a minha orientação. Sabia eu que lhe ia magoar, que lhe iria deixar diferente comigo. Até mesmo eu, sabia que ela nunca mais me iria olhar da mesma maneira. Mais uma vez, passei noites na entristeça. Andei no silêncio e no vazio. Não tinha coragem de lhe contar. Pois eu calculava que tudo iria mudar, que não ia voltar a ter aquele carinho todo que sempre tive, que não ia voltar a sentir aqueles abraços enormes que só ela me sabia transmitir. Desfiz-me em pedaços, por completo!
Certa altura eu deveria de lhe contar. Mas mesmo assim, eu dizia que nunca teria aquela tendência, que nunca teria aquela coragem de lhe contar. O medo falava mais alto que eu. Dizia eu que nunca iria lhe contar, que iria continuar no silêncio, sem magoar o seu coração. Chorei imensas vezes, com medo do que se pudesse acontecer quando tudo ultrapassa-se.
Eu fartei! Chegou o momento que fartei. Fartei de chorar, fartei de esconder, de me vaziar no silêncio. Ainda aqui estou, a escrever este texto para vocês, membros da escola, verem que eu passei por tal, e que neste momento lágrimas me cai pelo rosto. Para mim é frustrante.
De momento, decidi revelar o que tanto escondi até hoje pela minha mãe. Cansei por completo. Tinha de contar. Então, observei a minha mãe, olhei de uma forma corajosa, de uma forma forçante. Contei! Falei tudo o que devia de falar, e vendo a minha mãe sofrer, as lagrimas gritaram e caíram sobre o seu ombro. Apertei-a de uma forma brusca, que até a mim me meteu dó! Mas contei. Compreendi todos os pontos que a minha mãe me disse, pois não passara de uma fase. Pensei eu que iria ser descriminado, que tudo se iria mudar. O meu autoestima desceu. O tempo parou.
Ouvindo a minha mãe, dizendo coisas que lhe magoara, eu compreendi. De repente, ela me diz: “Não deixarás de ser meu filho só porque a vida te trouxe um rumo diferente. Não! Continuarás a ser meu filho, da mesma forma que fui para ti durante estes anos, serei até morrer. És feliz assim? Ainda bem. Tu estás feliz eu também estou, por teres lutado e por teres consigo chegar ao fim.” Nunca pensei. Fiquei boquiaberto, muito sinceramente! Ao mesmo tempo, chorei, quase com o coração a sair-me pela boca fora.
Hoje sei, que nunca devemos de desistir de uma coisa que se pode dar a volta por cima. Sei que tudo é possível, e que na vida devemos pensar e de aprender com todos os nossos erros. Não desisti, lutei e levei com tudo isto em frente. Na verdade, a coragem encaixava em mim, sabia eu que a tinha.
É por isso que hoje, e todos os dias eu digo: “NUNCA DIGAS NUNCA.”